02 de Fevereiro é dia de Oxum ou Iemanjá ?

02 de Fevereiro é dia de Oxum ou Iemanjá ?

Oxum: A Senhora das Águas Doces e da Prosperidade

Na Mitologia Yorubá, Oxum é um Orixá feminino (Yabá) de extrema importância, cujo nome deriva diretamente do Rio Ọsun, localizado na Iorubalândia (Nigéria, Begin e Togo). Seu culto tem raízes profundas na Nigéria, especificamente nas regiões de Ijexá e Ijebu, sendo a cidade de Osogbo o seu principal centro de devoção mundial.

Atuação e Domínios

Dentro da Umbanda e das religiões afro-brasileiras, Oxum é a regente absoluta das Águas Doces, governando rios, fontes e cachoeiras. Ela é a divindade do amor, da fertilidade e da gestação, sendo considerada a:

• Guardiã da Prosperidade: Dona do ouro e das riquezas, ela rege a abundância e o brilho.

• Protetora das Riquezas: Embora originalmente ligada ao cobre na África, no Brasil consolidou-se como a senhora das minas de ouro e de todos os tesouros que o subsolo e as águas podem oferecer.

O Sincretismo Religioso

Devido ao processo histórico de sincretismo no Brasil, Oxum é associada a diversas faces de Maria no Catolicismo. Essa conexão é frequentemente visualizada em imagens de Nossas Senhoras que trazem querubins aos seus pés, simbolizando a pureza e a proteção de Oxum sobre as crianças e a maternidade.

Os principais sincretismos variam conforme a região:

\ • Nossa Senhora da Conceição: O sincretismo mais difundido (Rio de Janeiro e Nordeste), celebrado em 8 de dezembro.

• Nossa Senhora Aparecida: Padroeira do Brasil e sincretismo predominante em São Paulo (12 de outubro).

• Nossa Senhora dos Navegantes: Sincretizada em determinadas regiões do Sul e Nordeste (02 de Fevereiro).

• Santa Luzia: Sincretismo comum em partes da Bahia, reforçando o poder de Oxum sobre a visão espiritual.

O 2 de Fevereiro: O Encontro de Oxum e Iemanjá no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, o dia 2 de fevereiro revela um fenômeno religioso singular. Enquanto no restante do Brasil a data é quase exclusivamente dedicada a Iemanjá, o território gaúcho promove uma celebração conjunta com Oxum. O antropólogo Ari Pedro Oro (UFRGS) é a principal referência na explicação dessa dinâmica, que funde geografia, hierarquia ritual e as complexas relações com o catolicismo.

A Tese do Sincretismo no Guaíba e a Resistência Cultural

Segundo Oro, o sincretismo local com Nossa Senhora dos Navegantes é o ponto de partida:

• Água Doce vs. Água Salgada: A procissão católica em Porto Alegre ocorre nas águas do Lago Guaíba. Como Oxum é a regente das águas doces, o povo de terreiro (especialmente do Batuque) reconhece a divindade navegante como a própria Oxum.

• O Papel da Igreja: Historicamente, a Igreja Católica utilizava a procissão para afirmar sua hegemonia. Contudo, os fiéis de matriz africana ocuparam as margens do rio de forma estratégica: enquanto a imagem oficial passava, as oferendas eram entregues à “Dona do Rio”.

• A Centralidade de Oxum no Batuque: Como aponta Norton Corrêa, no Batuque gaúcho Oxum possui uma importância hierárquica superior à que detém em outras nações, sendo a “mãe” da maioria das casas. Isso forçou uma convivência visual no dia 2 de fevereiro, onde o amarelo (Oxum) e o azul (Iemanjá) dividem o espaço público.

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1. Porto Alegre (Nossa Senhora dos Navegantes) - Desde 1871

• Contexto: Iniciada por imigrantes açorianos, a festa nasceu institucionalizada pela Igreja. A partir de 1871, a procissão servia como marco da identidade europeia e católica da cidade.

• Relacionamento com a Igreja: Por décadas, a Igreja Católica manteve uma postura de “vigilância” sobre as manifestações afro na orla. Durante o século XIX e início do XX, o componente afro era velado, uma estratégia de sobrevivência contra a perseguição policial e eclesiástica.

• Visibilidade: Foi apenas na metade do século XX, com o crescimento da Umbanda e uma leve abertura ecumênica (pós-Segundo Concílio Ecumênico do Vaticano), que os fiéis de terreiro passaram a usar seus trajes rituais nas margens do Guaíba sem o temor imediato de repressão.

2. Salvador (Iemanjá) - Desde 1923

• Contexto: Diferente do Sul, a festa no Rio Vermelho nasceu de uma necessidade prática de 25 pescadores em meio a uma crise de escassez de peixes. Eles optaram por uma oferenda direta à “Mãe d’Água”, sem a mediação de uma paróquia.

• Conflito com o Clero: Ao contrário da história de Nossa Senhora Aparecida (onde o milagre da pesca foi rapidamente institucionalizado por padres), em Salvador houve conflito. Nos anos 60 e 70, padres da Paróquia de Santana chegaram a proibir a entrada de fiéis vestidos de branco. Essa rigidez eclesiástica acabou provocando o efeito oposto: os fiéis “se retiraram” da igreja e transformaram a festa de Iemanjá em uma manifestação de rua majoritariamente laica e africana, forçando a Igreja a aceitar sua posição secundária no evento.

Conclusão: A Soberania de Oxum no Sul

Cronologicamente, a celebração pública em Porto Alegre é mais antiga devido ao feriado oficial de 1871. Contudo, a festa de Salvador é precursora como ato de fé africana independente. No Rio Grande do Sul, a Igreja Católica teve que aprender a compartilhar o Guaíba: enquanto os sinos tocam para Navegantes, os tambores e as guias amarelas saúdam Oxum. A força da Umbanda garantiu que, no Sul, o dia 2 de fevereiro seja o único momento do país onde a Rainha da Água Doce divide o trono, em pé de igualdade, com a Rainha do Mar.

Estudo realizado com o auxílio do Google Gemini.

Na Terreira de Mãe Maria Sete Flechas

Ela é um Orixá Maior e é responsável pelo signo de Câncer, sua cor é Azul claro, seu elemento é a água doce, ervas Lírio e Violeta, responsável pelo Paladar, sua bebida é o Guaraná.

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